sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

MISSÃO CUMPRIDA


ERA UMA VEZ dois meninos, Neco e Bira, muito amigos e travessos, que moravam em fazendas vizinhas no interior do Rio Grande do Sul. As fazendas eram de criação de gado e grandes plantações de arroz e soja. Os meninos estavam sempre juntos e costumavam participar voluntariamente nas lides diárias, auxiliando os peões, principalmente se os serviços fossem feitos a cavalo (pois adoravam cavalgar).

Seus pais, homens ricos e cultos, costumavam deixá-los bem à vontade, com muito tempo para brincadeiras e..... diabruras!

Um belo dia, quando já passava das dez horas da manhã, lá estavam os dois amigos, na casa do Neco, junto à janela do escritório dos móveis antigos, de onde se descortinava um jardim maravilhoso de palmeiras e algumas árvores frutíferas, que se misturavam com lindos arbustos e belas flores. A passarada cantava de ensurdecer. O sol e a luminosidade do dia eram encantadores.

- Neco, você já está com as armas prontas?

- Sim. Tu ficas com a arma de salão (uma espingarda calibre vinte e dois) e eu levo a espingarda de chumbo (calibre dezesseis), e a de chumbinho que é para brincarmos um pouco mais.

Os dois amigos saíram para caçar passarinhos, e com armas de verdade. Com eles, além das armas, levavam alguns apetrechos. Nesse dia não foram nos cavalos, mas a pé, em matos bem próximos das casas. Perto do meio dia chegavam os dois amigos. E traziam um carrinho de quatro rodas que vinha puxado por Bira, cheio de passarinhos abatidos pelos tiros de espingarda.

Entre os passarinhos, havia até um joão-de-barro e muitas caturritas, numa demonstração do espírito malvado e predatório dos meninos.

- Que malvadeza desses moleques! Dizia, com irritação, o chefe dos duendes azuis, que cuidavam daqueles campos e matos. O duende-chefe fungava alto, fazendo o maior barulho. Alguns desses pequeninos seres, invisíveis para a grande maioria dos humanos, estavam rochinhos de raiva e brabeza.

- Temos que tomar providências! Dizia um deles.

- Drásticas, encorajava outro.

- Definitivas, acrescentava uma garota-duende, de pele azul-clara, belíssima.

- Eu sei! Eu sei! Dizia o duende-chefe, mas não me pressionem! Não me pressionem! Fico nervoso, e não consigo resolver as coisas!

Tarefa difícil a desses pequenos seres que cuidam da natureza. Segundo os grandes estudiosos desse assunto, eles, na verdade, pouco ou quase nada podem fazer com relação aos humanos, a não ser emitir bons pensamentos para as crianças que são arteiras e levadas, como Neco e Bira.

- Temos que castigá-los, dizia um duende azul escuro, com aparência de chefe.

- A natureza é sábia. Ela mesma se encarregará das represálias. Vamos somente nos concentrar. Venham, vamos fazer um círculo de poder, determinou o duende-chefe.

Enquanto isso, Neco e Bira levavam o carrinho cheio de passarinhos mortos para a cozinheira. E Neco ordenou:

- Olha aí, dona Vilma, prepara uma passarinhada para nós. Vamos comer todinhos!

- Que judiaria, Neco! Vocês são uns demônio! Tá bão. Se a tua mãe concordá, eu cozinho esses pobre bichinho.

E dona Vilma entrou para a cozinha puxando o carrinho, balançando a cabeça e resmungando.

Os duendes azuis observavam tudo, um pouco retirados, por detrás das árvores maiores do grande pátio da fazenda. Todos estavam com caras de poucos amigos, de nariz torcido.

Neco e Bira saltitando pelo pátio grande, decidiram brincar de jogar bola. Corriam junto com os grandes cachorros ovelheiros, e os pequenos também, em sua maioria da raça fox. Corriam igualmente atrás de algumas galinhas que haviam escapulido do galinheiro, com grande algazarra em suas correrias e brincadeiras.

Zé Gandaia, o varredor dos pátios, era um homem negro, velho e forte. Sua mãe foi do tempo da escravatura. Mas ele já nasceu livre. Era um bebê "de ventre-livre". Assim eram chamados naquela época todos os meninos negros que nasceram depois da lei que recebeu esse nome. Jamais seriam escravos, graças a Deus!

O Zé Gandaia observava tudo. Ele gostava do Neco e do Bira. Ajudava-os, ensinando e amparando os garotos. Mas também ficava muito triste quando eles faziam travessuras e malvadezas.

-HUUMM! Malvadeza traz malvadeza. Isso não vai dar em boa coisa, dizia o Zé Gandaia, em sua sabedoria de homem do campo.

No pátio das laranjeiras, o primeiro acidente logo aconteceu. Dois duendes mais exaltados, e contra a ordem do duende-chefe, que não permitia interferências - a não ser a transmissão de bons pensamentos - trataram de confundir, pelo pensamento, os nossos dois personagens. Neco e Bira brincavam, agora com a espingarda de chumbinho. Essa arma não era completamente de verdade. Era para tiro ao alvo, e os seus tiros não chegavam a matar nem mesmo um pássaro, muito menos uma pessoa, mas poderia ferir, principalmente se acertasse no olho.

Não era "vontade" do Neco, mas com o pensamento confundido pelos dois duendes mais exaltados, acertou uma chumbada na barriga do Bira. Este gritou alto, ficou furioso. Por sorte o chumbinho fez somente um pequeno furo, superficial. Não foi grande coisa, só um pouco de dor e o susto. E os dois amigos ficaram meio brigados, por algumas horas, pois o Bira não aceitava as desculpas do Neco.

O dia passava. Alguns dos passarinhos foram realmente almoçados pelos dois meninos. Bira quase quebrou um dos seus dentes, ao mastigar dois chumbinhos que estavam no corpo do passarinho que tinha sido cozinhado pela dona Vilma, da mesma forma como se cozinham as galinhas e outros animais que os humanos ainda comem em suas refeições.

No final da tarde, outro acidente assusta, e muito, os nossos garotos traquinas. Bira e Neco, já com o sol se pondo, chegam no galpão principal da fazenda para desmontar dos cavalos, depois do longo passeio que fizeram. Os meninos apearam e começaram a retirar as selas. Nisso, um dos peões da fazenda entra com seu trator no galpão, em marcha acelerada e sem aviso. Os cavalos se assustam. O animal que havia sido montado por Bira, um baio enorme e muito bonito, solta uma patada violentíssima que acerta as duas coxas do menino.

Algumas risadinhas, quase imperceptíveis, foram ouvidas no alto da grande e forte estrutura do galpão. Seriam os duendes? Mas como estava escuro, não se podia ver quase nada sob esses enormes telhados, cheios de vigas e madeiramentos próprios para depósito de coisas e bugigangas.

Para encurtar a nossa história:

Muitos gritos e choros do Bira, que quase teve uma perna quebrada, e por pouco uma das patas do baio não acerta a região genital do menininho. Foram três dias de cama para ele. E para o Neco, o castigo de não ter com quem brincar, por vários dias!

Agora preciso falar de uma estranha coincidência. Os passarinhos que morreram, e que foram assados e comidos pelos meninos, tiveram suas almas de passarinho recolhidas e cuidadas pela comunidade dos duendes azuis. Foram levados para hospitais da terra dos duendes, que ficava logo ali, pois tinham que se reanimar e participar da grande cerimônia de missão cumprida nos territórios de Gaia (Gaia é a Terra, na linguagem dos sábios).

Essa cerimônia dura três dias: um dia para reanimação e cura; outro dia para apresentar os relatórios; e o último dia para a festa, os presentes, os abraços, os encontros com amigos e parentes-passarinhos.

Bem, no final do terceiro dia, no auge da cerimônia comandada pelos duendes azuis, era determinada a hora da escolha. Os passarinhos que foram mortos pelos nossos amiguinhos Neco e Bira tinham que decidir: teriam que escolher se queriam voltar para a Terra e ensinar um pouco mais de harmonia e beleza para os humanos, ou se preferiam partir para o mundo além do grande portal, quase no final da terra dos duendes azuis.

Alguns decidiram voltar. E por incrível que pareça, justamente para os mesmos pomares onde Neco e Bira costumavam brincar com armas de verdade. Eram valentes demais, esses passarinhos!

- Mas agora seremos mais espertos, disseram eles para os duendes. Vamos ficar mais atentos para que Neco, Bira e outros não atrapalhem mais a nossa grande missão.

Alguns quiseram descansar, indo para além do grande portal, mas se acaso sentissem saudades – disseram para os duendes – solicitariam permissão para mais uma nova missão no mundo de Gaia.

F I M




segunda-feira, 30 de abril de 2012

A FAMÍLIA DUDU ou LA GRANDA KUNVENO

OS AVISOS


Estavam todas as pessoas vivendo normalmente, nas suas casas, na cidade, no trabalho, na escola, no campo, inclusive a família Dudu.
Seu Di Dudu que era o pai, Dona Dadá Dudu a mãe e Florzinha Dudu, a filhinha. Entram nesta história, também, dois grandes amigos da família Dudu, o Simples e o Complexo.
Estava tudo normal. Cada qual nos seus afazeres, quando então começaram a acontecer coisas estranhas para cada um desses personagens, de um momento para outro.
Enquanto a vida rolava para todo o mundo, eis que cada um dos nossos amigos passou a receber avisos, estranhos avisos, e todos esses avisos, diferentes para cada um deles, tocaram os seus corações. Os avisos diziam-lhes, insistentemente, que rumassem para a garagem e para o carro do seu Dudu.
Tão insistentes foram esses avisos que eles acabaram cedendo, ou seja, indo para lá. Encontraram-se todos, meio atônitos, ao mesmo tempo; uma força estranha empurrava-os para dentro do automóvel do seu Dudu.
Já sentados nos bancos, meio sem graça, até, cada um sem saber muito bem porque e o que dizer, estavam Seu Di Dudu, Dona Dada Dudu, Florzinha, o Simples e o Complexo. Nisso, as portas do carro fecharam-se sozinhas, o motor passou a funcionar, sozinho, e o carro iniciou a andar, também sozinho; abriu-se a porta da garagem, sozinha, e o carro saiu muito faceiro para a rua, deslizou nos paralelepipedos e subiu, imbicou em direção ao espaço e subiu, voou e voou sobre a cidade, aumentando sempre a velocidade, como que controlado de fora, desde muito longe.
Os nossos personagens olharam, embevecidos, já felizes, o incrível fenômeno, e descobriram, observando o espaço infinito, um que outro automóvel na mesma situação do deles, revoluteando sobre a cidade, no mesmo rumo.


O ENCONTRO


Finalmente os automóveis chegaram ao seu destino, após passarem por muitas e muitas terras, inúmeros lugares e países distantes, e foram descendo, suavemente, num lugar até então desconhecido para eles e muito bonito. Em meio a uma natureza belíssima, exuberante, observaram um imenso pavilhão moderno e colorido. Algumas portas automaticamente abriram-se e os carros que chegaram foram pousando e deslizando para o grande espaço interno do imenso pavilhão moderno.
Dentro do pavilhão havia muito movimento e uma organização impecável. Inúmeras recepcionistas muito bonitas e bem vestidas, com trajes tipo espacial, ou seja, malhas coloridas bem colantes. Pareciam até a Xuxa e as Paquitas, da televisão brasileira, a todos assistindo. Recepcionavam os que chegavam, só simpatias, deixando seu Dudú e sua família, além do Simples e do Complexo, sem palavras, encantados. Música, alegria e felicidade, era o tom do encontro.
Observando melhor, acabaram por perceber que todos os que chegavam tinham, no mínimo, algo em comum: falavam, pelo menos um pouquinho só, a língua internacional ESPERANTO, que é a língua fraterna e neutra. O Esperanto é uma lingua muito fácil e sonora. Em português, Esperanto significa esperança. Por isso, ouvia-se, em toda parte, diálogos assim:

- Kiu estas vi?
- Mi estas Karlo! Kaj vi?
- Mi estas Karina.
- Tre bone!
E assim por diante...

Os Dudú foram se aproximando do balcão da grande recepção, para preencher os formulários e registros, Florzinha no colo do Seu Di Dudu. Muito curiosos com tudo, foram ficando impressionados com a sofisticação da aparelhagem, vídeos, canais internos de TV, etc..., e o recepcionista simpático, após dizer-lhes os números dos apartamentos que lhes caberiam, vendo a imensa curiosidade de todos, com relação aos equipamentos tão modernos que ele mesmo manipulava, entre outros, chamou-os para mostrar-lhes a excelência de um deles:
- Este aparelho, por exemplo, se operarmos corretamente, mostra muitas coisas além daquilo que os olhos humanos podem observar. Vejam. Vou focalizar o rosto daquele senhor que acaba de chegar, mas que por estar muito cansado, tira uma soneca naquele sofá, acolá.
E manipulou os botões para que a câmera fizesse uma tomada do rosto do senhor que dormitava. Na tela, aparecia o rosto e algumas sombras estranhas que davam um colorido muito feio à pele daquele homem.
- Viram essas manchas que somente este aparelho capta? É porque esse senhor ainda fuma cigarros, não conseguiu ainda libertar-se desse vício, coitado, vicio esse que causa tantos e tantos males ao nosso corpo físico, sem falar no corpo mental, no emocional e etc!

A SURPRESA

Quando pensavam já em dirigir-se aos seus aposentos, tocou uma campainha estridente, e em um dos lados do festivo pavilhão colorido, abriu-se uma enorme porta, bem devagar. Todos observaram, atentos. Eis que aproximou-se do espaço exterior não mais um outro automóvel, mas uma enorme, gigantesca nave espacial, tão grande que não era uma nave comum, como um simples disco-voador marciano, mas uma nave-mãe.
Abriu-se a porta principal da grande nave e apareceram, colorindo mais ainda aquele encontro, centenas de casais, pessoas, amigos e filhos, de muitos planetas que compõem o universo infinito, todos com formas humanoides, mas cada um deles com características (jeito) muito diferentes; alguns eram verdes, outros azuis, roupas exóticas e estranhas, com antenas, sem antenas, vinham em clima de festa, juntar-se ao GRANDE ENCONTRO, ao GRANDA KUNVENO, que significa Grande Encontro em Esperanto. Observaram loguinho que os extraterrestres e intra-terrenos, falavam muito melhor ainda o ESPERANTO, a lingua internacional e fraterna. Os mais evoluidos falavam o Irdin, mas esta é uma lingua mais complexa, para seres em processo de evolução muito adiantados. Era um verdadeiro DESFILE, a saida da nave para o grande pavilhão onde já se encontravam a família Dudu, o Simples e o Complexo. Alguns davam a impressão de serem velhos conhecidos dos recepcionistas, também em clima de grande festa.
Os componentes desse grande "desfile", habitantes de outros mundos, passavam pelo balcão aonde se encontrava Florzinha Dudu, no colo do seu pai. Foi quando um dos casais, amarelos, aliás, totalmente amarelos, inclusive com roupas totalmente amarelas, tiveram uma espécie de desmaio, e desfalecendo, foram caindo ao solo, para espanto e preocupação de todos. Imediatamente, o recepcionista falou aos microfones:
- Atenção, atenção emergência, direcionem a luz amarela para o casal XYZ-93, do planeta gelado, não esqueçam que eles necessitam receber a luz amarela pelo menos uma vez ao dia, pois não resistem por muito tempo as nossas elevadas temperaturas.
Florzinha observava-os de forma tão estranha, mas tão estranha, com uma carinha tão especial! A luz amarela que saiu do teto do pavilhão e iluminou o casal XYZ-93, imediatamente possibilitou a recuperação dos mesmos, que já sorriram e, curioso, ao levantarem-se, igualmente perceberam Florzinha, que os observava tão estranhamente. Como que por força desconhecida, os tres, o casal XYZ-93 e Florzinha estenderam-se os braços. O pai de Florzinha ficou preocupadíssimo com isso, não queria deixar a filhinha dele sair do seu colo, mas o senhor XYZ-93 falou, em Esperanto:
- Deixe-a um pouco conosco, dentro de uma ou duas horas nós a levaremos ao seus aposentos.
O senhor Di Dudu olhou para o recepcionista, alarmado.
- Deixe-os, seu Di, estão se reencontrando, o senhor não deu-se conta de que está operando fortemente o campo T, das lembranças de vidas passadas, armazenadas no inconsciente. Essas afinidades são fortíssimas, e nunca se perdem, mesmo quando os espíritos mudam de planetas por algum tempo. Os seres sempre se reconhecem, estejam aonde estiverem. Não se pode ir contra essa força natural. E lá se foram Florzinha e o casal XYZ-93, bem faceiros, na harmonia do desfile que continuava sempre firme. Florzinha foi curtir um pouco aqueles compenheiros tão importantes de vidas passadas.


MENSAGEM DE FRATERNIDADE UNIVERSAL


No dia seguinte, todos reunidos no grande auditório, um dos palestrantes principais pediu-lhes segredo sobre este encontro,ou Granda Kunveno. Não poderiam contar nada para ninguém, após retornarem aos seus lares para a continuação da vida normal. Tratava-se de um encontro inter-planetário para o fortalecimento da FRATERNIDADE UNIVERSAL, ou seja, da amizade entre as pessoas e os povos, ou seja, entre a imensa, incomensurável FAMÍLIA UNIVERSAL.
Mas nem todos, dizia o palestrante, estavam preparados para essa mensagem, pois acreditavam ainda em guerras e estavam prisioneiros de muitos vícios e preconceitos. Nem conheciam ainda a Ciência da Consciência Grupal, que vai preparando as pessoas para a paz universal, harmonia e cooperação.
No tempo devido, porém, quando DEUS assim determinar, não haverá mais necessidade de nenhum segredo, mas enquanto isso, a palavra chave será CONFIAR.
Tenham confiança em Deus, dizia, e na harmonia das leis cósmicas, e também em voces mesmos, que vivendo felizes e alegres, mesmo em meio a situações difíceis, que são naturais e necessárias para o aprendizado de todos, devendo estar sempre a postos e prontos para o trabalho que garanta o estabelecimento da FRATERNIDADE e do AMOR entre as pessoas e os povos.

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F I M